Daniel.
Blog

23 de setembro de 2026 · Publicado originalmente no LinkedIn

Vamos falar sobre dopamina.

Vamos falar sobre dopamina.

Vamos falar sobre dopamina. Acho ótimo que as pessoas tenham cada vez mais interesse pelo cérebro, mas muita gente confunde as coisas. Não existe “vício em dopamina”. Dopamina é um mensageiro químico. Não é algo que você consome. O que existe é dependência de estímulos (substâncias e/ou comportamentos) que, pela repetição, "treinam" o cérebro a buscar sempre a mesma recompensa. A dopamina sinaliza o que vale perseguir. Ela orienta atenção, energia e escolha. O ponto não é “ter muita dopamina”, e sim o padrão de liberação e de aprendizado em torno do estímulo. Alguns estímulos geram picos rápidos e intensos, muitas vezes de baixo esforço (dr@gas são o exemplo clássico, mas também apostas etc.). Repetidos ao longo do tempo, esses estímulos recalibram o sistema. Esse tipo de liberação de dopamina (rápida, intensa, sem esforço) pode trazer sérios problemas. Repetidos ao longo do tempo, esses estímulos recalibram o sistema. O cérebro passa a dar atenção exagerada ao alvo: você quer cada vez mais aquele estímulo… e todo o resto perde a graça. Ou seja, você se interessa por cada vez menos coisas, pois só consegue desejar e se sentir motivado perante aquele estímulo. Não diga “estou viciado em dopamina”. É mais correto dizer: “Estou habituado a estímulos hiperdopaminérgicos”. Obs.: Essa não é a única função da dopamina no corpo humano (apesar de ser a mais conhecida e falada nas redes sociais).