Daniel.
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10 de julho de 2026 · Publicado originalmente no LinkedIn

Até o começo do século XX, o tratamento psiquiátrico no Brasil era, na prática, um sistema de encarceramento. O padrão envolvia camisas d…

Até o começo do século XX, o tratamento psiquiátrico no Brasil era, na prática, um sistema de encarceramento. O padrão envolvia camisas d…

Até o começo do século XX, o tratamento psiquiátrico no Brasil era, na prática, um sistema de encarceramento. O padrão envolvia camisas de força, isolamento absoluto e muita violência. Quem liderou a quebra desse modelo foi um médico baiano chamado Juliano Moreira. Quando ele assumiu a direção do Hospício Nacional de Alienados, lá em 1903, a primeira atitude foi abolir as grades e as camisas de força. Ele substituiu o castigo pelo olhar clínico. Na mesma época, comprou uma briga pesada com a academia ao derrubar o racismo científico: usando dados e pesquisa, ele provou que o adoecimento mental não tinha nenhuma relação com a miscigenação, contrariando o que a elite médica defendia. Como alguém que estuda o comportamento e a mente humana, o ponto que mais admiro na trajetória dele foi a visão de futuro. Juliano foi um dos pioneiros a ler e defender os textos de Sigmund Freud no Brasil, abrindo caminho para a psicanálise e para o estudo moderno do inconsciente por aqui. Ele entendeu muito cedo que não existe avanço científico sem dignidade. Estudar a mente exige a construção de ambientes onde as diferentes formas de sentir possam ser ouvidas e investigadas, e não trancadas. É uma figura gigante da nossa história que raramente recebe o destaque que merece. Fica a recomendação de pesquisa para quem também se interessa por saúde mental, história e comportamento. #JulianoMoreira #ComportamentoHumano #Psicanalise #SaudeMental #HistoriaDoBrasil